“Tiramos o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) do anonimato”. Essa é a conclusão dos organizadores do I Fórum Municipal de Saúde Mental, que ocorreu na última terça-feira (10/10). A data coincidiu com a celebração do Dia Mundial de Saúde Mental. O evento foi promovido pela Prefeitura de Guapimirim, na Pousada Sonho Verde, no Centro, e reuniu mais de 200 pessoas, em grande maioria psicólogos e estudantes. Participaram da mesa o vice-prefeito Pastor Ricardo, o secretário Municipal de Saúde, Dr. Marco Appolinario, o coordenador Municipal de Saúde Mental, Agnaldo Silva, e as coordenadoras do CAPS, Flaviane Babick, e CAPS AD (Álcool e Drogas), Sheila Medeiros.

“Aos profissionais [de saúde mental], que Deus abençoe vocês, para que entendam que estão lidando com pessoas. Vocês não estão lidando com incômodos, estorvos nem problemas. Vocês lidam com pessoas (…); hoje estamos aqui discutindo essa nova realidade [no tratamento de saúde mental], destacou o vice-prefeito Pastor Ricardo.

“Estamos realizando este evento, para mostrar que a questão da saúde mental é uma realidade. Agora estamos, de fato, começando a discutir, e isso já é um grande passo na evolução do tratamento de saúde mental (…)”, comentou o secretário Municipal de Saúde, Dr. Marco Appolinario.

“Desejo a vocês um bom fórum, que vocês tenham um bom aprendizado. Como coordenador, quero que o povo não só tenha um olhar diferenciado para a saúde mental, mas que participe também, para que possamos promover uma qualidade melhor na saúde mental”, disse o coordenador Municipal de Saúde Mental, Agnaldo Silva.

“Quero aqui enfatizar a importância da Lei nº 10.216/2001, que fala sobre o direito e a proteção das pessoas com transtornos mentais. O que temos feito como cidadãos para que essa lei seja cumprida??? (…); as pessoas com deficiência física possuem muletas, já os deficientes visuais, bengalas. E as com transtornos mentais??? Não existe acessório para elas. Só podem contar com o apoio da família”, questionou a coordenadora do CAPS, Flaviane Babick.

“Gostaria de dizer que hoje vocês terão a oportunidade de conhecer a nova saúde mental, principalmente vocês, alunos. Vocês vão ver que a saúde mental não sou eu nem a Flaviane ou o Agnaldo. A saúde mental somos todos nós, trabalhando juntos em rede. O ouvir o outro é muito importante”, falou a coordenadora do CAPS AD, Sheila Medeiros.

O fórum emocionou ao público presente. Um desses momentos foi a performance de dona Maria Eleonora, usuária do CAPS, e a menina Júlia Babick, que juntas cantaram ‘Balada do Louco’, de Ney Matogrosso. Júlia simbolizava o novo, a esperança de dias melhores no tratamento de transtornos mentais. Já a paciente representava os resultados positivos trazidos pelo tratamento humanizado.

“Eu espero que a geração de amanhã trate o louco com mais carinho, com mais compreensão, não com desprezo ou humilhando, não nos apontando na rua [o dedo] como loucos nem como surtados. Nós surtamos, mas temos uma equipe no CAPS que está nos apoiando e dando uma nova oportunidade de sermos felizes”, expressou a dona Eleonora, ao relatar o preconceito que sente por parte de outras pessoas.

Em Guapimirim, o fórum de saúde mental teve sua devida importância, considerando o elevado número de tentativas de suicídio. Um estudo de 2012 a 2014 revelou que houve ao menos 130 casos de tentativas de suicídio no município. Todavia, estima-se que o número seja muito maior, devido à falta de registros oficiais.

Ao longo do dia ocorreram palestras com especialistas em saúde mental. O psicólogo Ailson Campos Júnior falou sobre o seguinte tema: ‘Saúde Mental na Atenção Bástica: Os desafios de um cuidado em rede’; já o médico psiquiatra Marcos Argolo falou sobre ‘o processo de desinstitucionalização do Hospital Estadual Teixeira Brandão, reiterando a importância da Reforma Psiquiátrica’; a coordenadora do CAPS AD, Sheila Medeiros, fez uma apresentação sobre Saúde Mental; a psicóloga do CAPS, Ana Cloe, abordou o seguinte tema: ‘Evitando que a vida silencie: a prevenção do suicídio nos serviços de saúde’; enquanto que a coordenadora do CAPS, Flaviane Babick falou do seguinte tema: ‘Saúde Mental em visão social, inclusão e estigmas da sociedade’; e ao fim, o coordenador Municipal de Saúde Mental, Agnaldo Silva, falou sobre ‘a patologização dos pacientes de Saúde Mental pela família e sociedade’.